Fetef 2017 reúne grupos de quatro Estados

Foi uma verdadeira maratona cênica! Dez peças, oito grupos, cinco cidades, quatro Estados, diferentes temáticas e personagens, muitos palhaços, clowns, circo, mas o mesmo ideal, em que o Espiritismo verteu através do teatro com humor, emoção, beleza, magia e encantamento, não apenas no espaço cênico do palco tradicional como também na rua, em praça pública! E além das apresentações – todas seguidas de debates –, um seminário sobre o teatro na evangelização, duas oficinas técnicas e um painel proporcionaram capacitação e integração entre os participantes. Assim foi o “7º Festival de Teatro Espírita de Florianópolis”, o Fetef 2017, que se realizou na Seara Espírita Entreposto da Fé (Seede) entre 2 e 5 de novembro. Promovido pelo Núcleo Espírita de Artes (NEA) em parceria com a Seede, o evento contou nesta sétima edição com a participação de grupos da capital, de Franca, Curitiba, Porto Alegre e Blumenau.

A primeira atividade do Fetef 2017 foi o Seminário sobre o Teatro na Evangelização, realizado na tarde de quinta-feira (2/11). Com momentos teóricos e práticos, o seminário teve o objetivo de apresentar abordagens de aplicação da arte, mais especificamente na modalidade de teatro, na evangelização infanto-juvenil, voltadas às necessidades da educação espírita. Foram tratados temas relacionados ao embasamento do teatro espírita, aos princípios do teatro e aos benefícios que ele proporciona ao educando, finalizando com a realização de técnicas e jogos teatrais e apresentação da peça “Viva a Vida!”, pela Trupe dos Clowneanos, do NEA.

A abertura oficial do Festival se deu na sexta feira (3) à noite, no Teatro da Seede, com apresentação da peça “O Gran Circo Fluídico”, pelo Instituto Arte e Vida, de Franca, um texto de Alberto Centurião e Hamilton Saraiva, com direção de Alberto Centurião e Irma Benate. Comédia contada através de fragmentos. Pequenas cenas que tratam de assuntos como mediunidade, perdão, evangelho no lar, entre outros, trazem à tona situações do cotidiano em que a maioria de nós acaba se identificando.

No sábado (4) pela manhã, às 9 horas, uma novidade marcou esta edição do Fetef: o evento saiu da Seede para ir às ruas, onde o povo está. A companhia GiKlaus, de Curitiba, ocupou a Praça Osni Ferreira, do bairro Monte Verde, para apresentar a “Praça da Amizade”. Neca e Nico, dois irmãos em uma solitária jornada, buscam uma praça onde possam realizar seu show de acrobacias. Entre um malabarismo e outro, contam suas histórias, tomados pelas emoções da infância, da lembrança de seus pais e da precipitada saída de casa em busca de seus sonhos. “Praça da Amizade”, uma adaptação do livro homônimo de Chico Xavier dirigida por Edmundo Cezar, transforma-se em um espetáculo rico de alegrias, bom humor e uma forte pitada emocional, convidando a plateia a valorizar a vida refletindo sobre o papel da família e do sentimento de fraternidade.

De volta ao Teatro da Seede, ainda na manhã de sábado, às 11 horas, a Trupe dos Clowneanos sobe ao palco para mais uma apresentação de “Viva a Vida!”. Cinco personagens clowns falam de temas como depressão, suicídio, aborto e drogas sob a ótica espírita, de forma leve, despertando o sentimento de amor à vida! O texto e a direção são de Rogério Silva.

Após o almoço, duas oficinas técnicas foram oferecidas aos participantes inscritos no evento. Enquanto numa sala, Klaus Faryj e Giselle Xavier, da Cia. GiKlaus, falaram da experiência com o teatro espírita de rua e o uso de linguagem circense nas ruas e escolas de Curitiba, em outra sala, os irmãos Leonardo e Gabriel Ritter, de Porto Alegre, abordaram sobre a comédia e o humor à luz do Espiritismo, o uso do bom humor no dia a dia, com dinâmicas de improviso, criação e construção de uma piada.

Às 16 horas, o Grupo Gira-Teatro, da capital, apresentou o espetáculo “Anabismo”, um trabalho de construção coletiva, com direção de Rogaciano Rodrigues. O percurso do homem em meio à sociedade se torna motivo de reflexão acerca de um caminhar entre espinhos, onde o coração sangra diante da obsessão pelos objetivos e metas materialistas. Escolhas que podem levar esse homem a perder-se do verdadeiro caminho que o conduz à Luz. “Anabismo” nos faz pensar sobre a importância de compreendermos realmente quem somos e, diante essa realidade, escutarmos a voz que vem do fundo do nosso ser para nos orientar.

A noite de sábado foi marcada por mais duas peças. Às 19 horas, o Grupo de Teatro do NEA trouxe “Libertação”, um dos primeiros textos da companhia, cuja estreia se deu em 1990. De autoria de Maurício Soares, com direção de Gabriel Nunes, “Libertação” enfoca três personagens – o iludido, o desiludido e o liberto – que discutem questões filosóficas da vida, como a ilusão, o sofrimento e a liberdade. Mas a verdadeira felicidade é conquistada quando conseguimos nos libertar dos sistemas, dos preconceitos, das pessoas e de si mesmo.

Na sequência, o grupo Ritter Brothers, de Porto Alegre, divertiu o público com “A procura da felicidade”, um texto da dupla de atores, os irmãos Leonardo e Gabriel Ritter, com direção de Leonardo. Carlinhos está prestes a reencarnar com uma missão muito importante: ser um exemplo para os jovens. Mas, na Terra, esquece tudo e acaba se tornando totalmente o contrário daquilo que planejou. Cansado de sua vida, Carlinhos sai de casa à procura da felicidade.

No domingo (5), pela manhã, às 8h15, um painel reuniu os integrantes dos grupos num momento de discussão e troca de ideias a respeito do trabalho teatral espírita. Dificuldades vivenciadas, soluções encontradas e relatos das atividades desenvolvidas foram os assuntos tratados.

Às 10 horas, iniciou mais uma sessão dupla de teatro. O Grupo Arte Educação (GAE), de Blumenau, com o esquete “O Reencontro”, foi o primeiro a se apresentar. Com texto e direção de Artêmio Meirelles, a peça retratou a vida de João, famoso palestrante espírita que, depois de alguns anos no umbral, é socorrido numa colônia espiritual. Ao começar seu planejamento reencarnatório, descobre que a orientadora é uma confrade de pouca expressão que trabalhava no mesmo centro espírita que ele frequentava.

Em seguida, o Grupo Projeção, da Seede, encenou “Você diz: eu te amo?”, texto coletivo, com direção de Luíza Teixeira.  Em uma família desestruturada, Luíza, uma menina de 8 anos busca dizer o quanto gosta dos membros daquele grupo, porém eles são distantes, preocupados com o serviço, a novela, deixando os filhos do lado. A criança dorme e desencarna, deixando seus familiares abalados.

A última sessão do Festival, encerrando o evento, realizou-se no domingo à tarde, a partir das 15 horas. O GAE retornou ao palco com o esquete “O próximo da lista”, também de autoria e direção de Artêmio Meirelles. Depois de ser atropelado e morto, Jadél se vê com apenas alguns arranhões e acha que ainda está vivo. Ao avistar um guarda reclama e pergunta se o guarda anotou a placa. O guarda é um espírito que veio recebê-lo e encaminhá-lo no mundo espiritual. A brincadeira continua quando o próprio público é convidado a ser o próximo da lista.

Por fim, entra em cena o Grupo Fraternidarte, de Curitiba, com a peça “Splints, no Universo da Imaginação”. Após uma grande perda, Xavier é levado a uma inesperada viagem ao universo da imaginação que poderá mudar o rumo de sua vida. Em Splints, ele encontrará palhaços, artistas, mágico e muita alegria. Será que essa viagem é suficiente para ele voltar a ser feliz? O texto é de Edmundo Cezar, com direção de Klaus Faryj e Giselle Xavier.

Todas as apresentações foram assistidas por Ana Luiza da Luz, Kamila Eva Deba e Marco Aurélio Torres, convidados especiais que, atendendo à solicitação da organização, dispuseram-se a colaborar com os grupos, tecendo comentários a respeito dos trabalhos apresentados, em ricos debates juntamente com o público interessado.

Outra novidade do evento, neste ano, foram as participações de personagens das peças de teatro do NEA, que, misturados, encenavam pequenos esquetes anunciando os espetáculos no Festival: Margareth e Juventino, Perfeito e Clown 1, Padre Honório e Berna, Alegria e Sir George de Winston, Clown 2 e Marta, Domadora Encantadora e Bertold, Coronel Francisco e João, Mr. Óliver e Clown 5, Iludido e Clown 3, e Rosana e Sir Frederich encontraram-se em cena, em situações inusitadas jamais imaginadas.

Foram quatro dias de muito trabalho, cansaço e desgaste físico, mas que certamente ficarão em nossa memória pelas energias espirituais recebidas, pela convivência fraterna com companheiros de ideal e pelo aprendizado que todos tivemos e que certamente refletirão no trabalho de todos os grupos.

A próxima edição do Fetef acontecerá em 2019.